O teu peito
é um parapeito,
debruço-me sem ter medo de cair.
Se não fosses todas as coisas do mundo, eu esquecia-me de ti.
Mas é por seres todas as coisas do mundo.
Perdi a noção das flores serem flores,
perdi a noção do relógio contar o tempo a passar,
perdi a noção de eu não te querer encontrar,
perdi a noçao da tua rua ser um sítio onde podia não passar,
vou até aqui mais uma vez. Vou falar do que sei.
Amarrotaste-me demasiado os lençois para poder adormecer
esta vontade. Desisti do sono, porque à noite também existes.
Não existe mais coisa alguma.
Não descubro o teu cabelo enrolado nos meus dedos
nem os teus pés encostados nos meus. Onde
é que posso ir para poder saber palavras dos teus lábios?
Diz-me onde é que posso ir para te beijar.
Faria tudo para ter um roteiro deste mar,
só sei a forma do teu corpo. Fecho os olhos e deixo-me levar.
O teu peito é um parapeito
onde me debruço sem pensar.
Não quero cair, não me quero levantar,
quero só baloiçar o teu cabelo entre dedos,
quero só saber-te ao virar do pescoço,
quero só estar no lugar que te sei estar.
Quero só te querer, este debruçar
que me leva a não querer acordar.
Eu disse-te que ainda estava aqui quando acordasses.
Eu já desisti de dormir.
gostei.